O Respeito é Importante: Quando a Alma Humana se Perde nos Preconceitos

Edição Junho 2025

Por Carlos Magalhães

1. A condição humana e os paradoxos contemporâneos.

Aristóteles já afirmava que a racionalidade distingue a alma humana. Ele diferencia três partes da alma: a vegetativa (nutrição e crescimento), a sensitiva (percepção e movimento) e a racional (pensamento e intelecto), sendo esta última exclusiva dos seres humanos (De Anima, Livro II, cap. 3; Livro III). A racionalidade, portanto, deveria ser a força que nos guia para escolhas mais justas, equilibradas e sustentáveis.

No entanto, a história revela um paradoxo inquietante: apesar da inteligência e da capacidade reflexiva, continuamos a reproduzir injustiças, preconceitos e a própria destruição do planeta que habitamos. Muitos argumentam que “a humanidade ainda está em desenvolvimento”, mas essa explicação já não se sustenta. No ritmo acelerado das transformações culturais, sociais e tecnológicas, a persistência da intolerância e da desigualdade demonstra que nossa racionalidade nem sempre é usada como instrumento de progresso coletivo (Sennett, 2001; Bauman, 2001). Podemos concluir que, se esse ritmo se mantiver, não sobrará sociedade para conviver nem planeta para viver.

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